Quão conveniente seria ter um smartphone tão inteligente capaz de realizar tarefas de forma autônoma – mesmo quando estiver desligado? Não estamos falando apenas de tarefas aleatórias, como atualizar e-mails ou exibir alertas sociais. Estamos falando de ações completas como fazer chamadas, enviar mensagens e muito mais.

Se a ideia soa improvável, é algo que está prestes a se tornar realidade. Os smartphones estão preparados para entrar em um novo mundo de interação e engajamento graças à inteligência artificial. Eles serão capazes de aprender seus hábitos e preferências e realizar ações com base em dados coletados. Tecnicamente, será possível através de uma combinação de Big Data e AI.

O que é um “superfone”?


“Superfone” é um rótulo precoce para esses futuros smartphones, que virão com ferramentas de automação e AI. Mas é também um nome apropriado. Mesmo os smartphones modernos também poderiam ser chamados de “superfones”, já que há poucas coisas que não possam fazer. Mas a autonomia interna e a IA permitirão que os telefones futuros transcendam os limites modernos.

De acordo com a Deloitte, mais de 300 milhões de smartphones – o que equivale a quase um quinto de todas as unidades vendidas globalmente – terão suporte AI até 2017. Imagine um telefone que sabe exatamente o que você precisa, antes mesmo que você manifeste qualquer ação?

O que o Big Data tem a ver com isso?


Digamos que não existem sistemas inteligentes, ou seja, baseados em inteligência artificial, sem Big Data para suportá-los. Afinal, são justamente esses dados que permitem aos sistemas prever, processar e realizar ações. Tomemos o Facebook, por exemplo: a plataforma coleta grandes quantidades de dados em sua base de usuários. Um grande exemplo é a pesquisa na Internet e o histórico de navegação. Quando pesquisamos produtos ou sites na web, o Facebook imediatamente reconhece essas informações. Uma vez na rede social, começam então a sugestão de promoções, propagandas e conteúdo sobre os produtos anteriormente pesquisados na web.

Em outras palavras, o Facebook parece saber exatamente o que você quer e o que está procurando. Isso é possível através Big Data. As informações necessárias são coletadas em uma ponta e armazenadas em um servidor acessível pelos algoritmos do Facebook. A parte importante a se lembrar é que, uma vez os dados arquivados, tornam-se disponíveis praticamente para sempre, exceto por uma falha grave de hardware ou um ato de Deus.

Ao longo do tempo, o Facebook pode criar um portfólio assustadoramente preciso das coisas que pelas quais o usuário esteja interessado – e, mais importante, dos produtos que realmente deseja adquirir. O sistema pode então mesclar esses dados com outros e começar a identificar padrões.

Esses dados podem ser alavancados para muitas coisas. Com AI, pode ser usado para prever comportamentos e ações. Até 2020, mais de 50 bilhões de dispositivos inteligentes e conectados globalmente terão coletado, compartilhado e analisado dados. Isso é muita informação que está sendo armazenada.

A novidade é que os smartphones – que em breve serão chamados de “superfones” – vão ficar incrivelmente inteligentes. Graças à AI ao Big Data, eles serão capazes de prever e realizar ações para tornar o seu dia melhor. Essa é a beleza da tecnologia “inteligente”: ela tem uma chance real de oferecer conveniência em nossas vidas.

O Gartner prevê que, até 2018, os assistentes digitais “conhecerão o usuário” a ponto de revelar muitos detalhes sobre ele. Seu celular pode decidir sobre o melhor lugar para comer, qual filme vai gostar mais e qual rota deve tomar para ir ao trabalho, sem pegar muito trânsito. Alguns aplicativos GPS já usam Big Data para enviar atualizações em tempo real sobre as condições de direção. Porque não dar o próximo passo e deixar o GPS pilotar o carro autônomo para o usuário?

A Inteligência Artificial é uma má notícia?


Não podemos afirmar que a inteligência artificial nunca será um problema, porque simplesmente não sabemos. Mas, na maioria das vezes, os perigosos sistemas de AI que vemos nos filmes e na televisão são amplamente exagerados. Ainda estamos tecnicamente no controle da AI e temos uma influência direta sobre o que ela é capaz de fazer e quais decisões ela pode tomar por nós.

A AI que existe hoje pode ser encontrada no Siri, da Apple ou na Alexa, da Amazon. Eles são inteligentes, mas ainda limitados em muitos aspectos por suas plataformas.

Outra grande preocupação é que a AI e os sistemas automatizados substituirão a força de trabalho humana. Isso não é tão provável de acontecer, especialmente quando há estatísticas regulares como um crescimento de 22% no emprego para a indústria de tecnologia até 2020. Em muitos mercados, novas oportunidades estão aparecendo mais rápido do que as antigas desaparecendo. Claro, você pode ter que repensar uma nova carreira eventualmente, mas a AI não vai assumir os nossos trabalhos em tão pouco tempo.

Durante o Mobile World Congress, a Huawei apresentou um celular com inteligência artificial embutido. Uma prova de que a tecnologia, contudo, tem avançado rapidamente.

Fonte: insideBIGDATA