Neste segundo artigo sobre como as indústrias mais avançadas no processo de transformação digital estão implementando essa cultura em seus processos e serviços, vamos continuar mostrando exemplos de ações dos últimos seis setores. 

Recapitulando o Índice de Transformação Digital Dell, que entrevistou mais de 4 mil líderes de empresas de 40 países, os seis primeiros setores que mais estão avançados em adotar o digital em seu DNA são telecomunicações, tecnologia, serviços financeiros, ciências da vida, mídia e entretenimento e saúde privada. 

Em nosso último artigo, compartilhamos exemplos das estratégias que empresas desses setores estão realizando ao adotar a tecnologia, que você pode ler AQUI.  

Os setores que comentaremos neste artigo são:


Lembrando que a transformação digital não se resume apenas a adicionar produtos ou serviços através da tecnologia. O “ser” digital envolve conectividade, agilidade, interação, relevância, uso de dados, oportunidade, assertividade, enfim, é um desafio maior do que apenas ter a tecnologia correta. É preciso levar a informação certa para o público certo. 

Apenas com uma mentalidade digital, alinhada em todos os setores da empresa, é possível obter a maturidade digital: mudando a cultura e o DNA da empresa. É uma missão complexa, mas totalmente possível. Comece se inspirando pelos cases que narramos abaixo. 🙂 

7º – Setor Automotivo

O setor automotivo vem se atualizando aos poucos para acompanhar a transformação digital da sociedade. Segundo uma pesquisa realizada pelo Cesar – Centro de Estudos e Sistemas Avancados do Recife, em parceria com o Portal Automotive Business, 61% dos profissionais do setor indicam que as empresas nas quais trabalham estão longe da maturidade digital. Ainda, 14% estão muito longe do nível maduro. 

Mesmo com os dados mostrando um longo caminho pela frente, já existem iniciativas envolvendo diversas tecnologias sendo postas em prática, como carros elétricos e autônomos, processo de compra on-line, criação de modelos open source, aplicações de blockchain e conectividade de fábrica. Nesse último quesito, uma pesquisa da Envolve ETFs diz que em um futuro próximo, a conectividade já virá de fábrica: 98% dos veículos virão com algum mecanismo que estimule a conexão. 

Vamos conferir abaixo algumas ações que empresas já implementaram. 

Após o impacto que a Amazon causou no segmento de fretes e entregas, a empresa de transporte e logística Pitt Ohio, que vale US$ 700 milhões, precisou se reinventar para acompanhar a velocidade do setor. Segundo o CIO da empresa, Scott Sullivan, a era da entrega dos fretes no dia seguinte ao recolhimento acabou. Com a Amazon, que passou a entregar as encomendas no mesmo dia, foi preciso atualizar os serviços para não perder mercado. 

Além disso, os clientes ainda esperam ter mais informações de precisão sobre as entregas que estão esperando, querendo saber não só quando os produtos serão retirados, mas como e quando serão entregues, para planejar suas cargas de trabalho. 

A partir dessa ação, a empresa aumentou a receita através de pedidos repetidos e reduziu o risco de perder os clientes. Para chegar a esse resultado, foi necessário um trabalho conjunto entre diversos departamentos, envolvendo pesquisa de mercado, operações de venda e TI. O CIO da Pitt Ohio diz que a principal lição aprendida é que são gerados muitos dados dentro da empresa, mas é preciso procurar maneiras desafiadoras de usá-los. 

A Tesla já nasceu com a proposta de um transporte mais sustentável através dos carros elétricos e investe em qualquer ideia inovadora que siga esse aspecto. A companhia produz e comercializa os carros elétricos, oferece postos de recarga, baterias de alto desempenho e outros serviços. 

Através de quatro iniciativas que mudam a forma de fazer negócio no setor, a Tesla conseguiu ultrapassar a Ford em valor de mercado, mesmo produzindo uma quantidade menor do que a concorrente, menos de 100 mil veículos por ano. As iniciativas são: 

Inclusive, em relação ao último tópico, a Tesla comercializa os seus modelos exclusivamente pela internet, possibilitando uma compra 100% on-line.

Pensando em ampliar o público que tem contato com seus modelos de luxo e para investir em um novo princípio de negócio, que nasce na economia compartilhada, a BMW criou o DriveNow, um sistema de TaaS – Transportation as a service. 

O serviço está disponível em 13 cidades da Europa, em parceria com uma companhia de aluguel de carros, a Sixt SE. Com ele, o cliente aluga um carro de luxo através de um aplicativo, apenas fazendo o cadastro e enviando uma foto da carteira de motorista. No app, o usuário escolhe o veículo, compartilha a sua localização e encontra o carro mais próximo para dirigir. Similar aos serviços de aluguel de bicicletas que já temos no Brasil.

A Local Motors realizou o sonho de muitos apaixonados por carros: deixou que eles projetassem o carro de seus sonhos. A empresa utiliza os serviços de pequenas fábricas, misturando inovação aberta e manufatura digital. 

A Fiat desenvolveu um carro conceito utilizando esse processo colaborativo, o Fiat MIO. Primeiro, a marca mapeou os cenários, depois foi para a fase de ideação e, por fim, de design. 

Através de uma plataforma, os consumidores podiam dar sugestões do que gostariam que seus carros tivessem. As redes sociais eram utilizadas para estimular a participação do público e compartilhar conteúdos para inspiração. Os comentários eram analisados e incluídos em relatórios sobre o carro do futuro. Segundo os criadores, a ideia era entender como as pessoas se relacionam com os carros. 

Os designers então separaram tópicos que foram para a próxima fase, onde cada um foi discutido entre todos os colaboradores separadamente, com o objetivo de decidir que caminho os engenheiros iriam seguir. 

É importante ressaltar que para garantir sugestões consistentes e conseguir atingir as expectativas do público participante, a Fiat estimulou constantemente as ideias fornecendo referências de imagem e texto, esclarecendo o que seria viável. 

Na fase seguinte, os técnicos da Fiat se concentraram na viabilidade técnica, e os usuários votaram. A versão mais votada e alguns aspectos do segundo lugar passaram para a próxima fase, a construção do protótipo, que continuou utilizando a inovação aberta através de votação, até chegar à versão final. 

8º – Petróleo e Gás

O setor de Óleo e Gás está em constante transformação, e por depender de uma infraestrutura robusta, as possibilidades de expansão são também muito grandes. E a tecnologia é uma das principais aliadas nesse crescimento.

As inovações digitais tornaram-se peças-chave para aumentar em escala a eficiência nas explorações e na produção de petróleo e gás, mas essa indústria ainda precisa percorrer um longo caminho até a maturidade digital. Muitas das empresas se unem a gigantes da tecnologia, como Google e Microsoft, para tentar incorporar o digital em seus processos. 

Entre as principais vantagens estão as soluções robóticas controladas remotamente em operações de plataformas em alto-mar, reduzindo as exposição dos trabalhadores a ambientes de risco (estratégia já utilizada há mais tempo, desde a década de 1980). Atualmente, com o avanço da Data Science, essas soluções também passaram a atuar como ferramentas de análise e gestão de dados, adicionando valor às informações e as tornando relevantes ao setor.

Vamos ver exemplos do que já está sendo feito em algumas empresas na prática. 

O conglomerado de empresas que atua em diversos setores, incluindo o de Petróleo & Gás, deu um salto digital ao olhar para fora da própria indústria. Ao estudar as estratégias que empresas inovadoras utilizavam, contratar pessoas de segmentos mais inovadores e se associar a laboratórios de incubação de startups, a GE conseguiu encontrar a tecnologia ideal para impulsionar o seu crescimento.

A empresa lançou a Predix, uma plataforma de internet das coisas para coleta e análise de dados de máquinas industriais, que são monitoradas e otimizadas digitalmente, através da nuvem. O objetivo era aumentar a produtividade a partir de máquinas conectadas. 

Ao mesmo tempo, a GE também entendeu que nem todos os seus clientes estariam preparados para migrar totalmente os seus sistemas de controle. Por isso, também lançou uma versão menos robusta, que apenas extrai dados operacionais de maquinários, além da versão mais “tradicional” do próprio Predix, que possibilita que a infraestrutura de computação fique nas próprias instalações do cliente.

Atualmente, seus sistema digital de gestão industrial reúne dados de mais de 150 mil equipamentos médicos, 36 mil motores de jato, 21,5 mil locomotivas, 23 mil turbinas de vento, 3,9 mil turbinas a gás e 20,7 mil partes de equipamento de gasolina e gás. Todos esses dados se transformam em informações valiosas, que com as estratégias certas, gera ainda mais valor a seus clientes. 

A estatal brasileira espera aumentar ganhos em eficiência e segurança de seus funcionários ao investir em estratégias digitais. Por isso, está criando uma área específica de transformação digital. Uma das metas é reduzir o tempo entre o leilão da área explorada na rodada de licitação da ANP e a produção do primeiro óleo no local. 

Para isso, segundo o diretor de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão da estatal, Nelson Silva, existe um orçamento específico para vincular projetos de transformação digital à empresa. Além disso, são feitas parcerias com outras empresas do setor, como a norueguesa Equinor, que também criou um centro corporativo de excelência digital para estudar estratégias. Uma delas é a análise avançada de algoritmos que, com aplicação de inteligência artificial alinhada a sensores inteligentes de internet das coisas, consegue acompanhar remotamente o funcionamento de válvulas. 

A empresa de tecnologia está trazendo três soluções digitais para as empresas do setor de Oléo & Gás brasileiro. A primeira delas se chama HEADS, e é um sistema integrado para a detecção automática de hidrocarbonetos, que melhora a identificação em 30% e reduz falsos alarmes em 75%. 

Essa solução impacta nas operações de vigilância das marinhas ao ser integrada às soluções já utilizadas, como câmeras infravermelhas e radares, pois enviará alertas automáticos no caso de vazamentos, sem necessidade de intervenção humana. Também facilita o armazenamento e tratamento dos dados, melhorando a segurança das operações. 

A segunda solução se chama FUPIPE, um sistema que utiliza fibra óptica para detectar furtos em oleodutos. Tem um sistema de monitoramento em tempo real, informações 24/7 sobre o estado dos dutos e acionamento automático de alarmes.

Por último, a Indra traz suas inovações de Smart Training em uma simulação de evacuação offshore. Utilizando realidade virtual, o simulador permite um treinamento mais imersivo e realista. O recurso já foi utilizado com sucesso em empresas do setor na Espanha. 

As soluções acima já foram implementadas em mais de 140 companhias de eletricidade, óleo, água, e petróleo e gás, em mais de 45 países.

9º – Varejo e Consumo 

O setor de varejo e consumo não consegue fugir da transformação digital iminente, pois lida diretamente com o consumidor, que já é digital ou está incorporando esse modo de consumir cada vez mais rápido. Mas ainda existe uma grande desigualdade no setor: enquanto algumas empresas estão bem avançadas em suas estratégias digitais, outras ainda nem começaram. 

Muitas acham que estão se transformando, mas esquecem que apenas lançar um app, sem integrá-lo aos processos físicos da empresa, ou sem gerenciá-lo corretamente e constantemente, não adianta. 

As estratégias que mais aparecem são as que usam a tecnologia para melhorar a experiência do consumidor. Porém, também existem estratégias internas sendo aplicadas. Vamos conhecer abaixo: 

Para não perder mais mercado por ter uma presença digital fraca, a rede de fast food Subway buscou personalizar não apenas o produto, mas também toda a interação com o cliente. Para isso, usou uma consultoria especializada em transformação digital para coletar a maior quantidade de dados possível, visando entender o comportamento e as demandas do público, usando as análises como ponto de partida para modernizar a estrutura operacional também. 

Todos os dados coletados ajudaram a empresa a entender as ações que deveriam ser tomadas para atrair e fidelizar clientes. Foram criadas algumas estratégias como: 

A Amaro criou um modelo futurístico para a moda brasileira, misturando lojas digitais com as físicas. Ao entrar em um loja física da marca, você pode se surpreender com a autonomia que o cliente consegue ter nos computadores que estão lá.

Os clientes podem utilizar o aplicativo da marca para escanear a peça desejada, colocando-a automaticamente no carrinho de compras.

Essa estratégia já faz parte da vida dos consumidores que utilizam aplicativos de transporte, por exemplo. A Amaro transformou essa realidade também para a moda. 

Por enquanto, são 13 lojas em grande cidades do Brasil, que são escolhidas utilizando outra ferramenta digital: a análise de dados. A Amaro usa informações coletadas nas redes sociais e nas transações digitais para nortear o seus processos. Os históricos de compras são usados para análises preditivas de quais peças farão sucesso, através de algoritmos e big data, servindo para ajustar o volume e a velocidade da produção – na Amaro as novas peças chegam às lojas em 8 a 12 semanas.  

Ainda em 2017, a filial brasileira foi a primeira a abrir uma área de transformação digital na empresa. O principal objetivo é usar os dados coletados a partir da interação com consumidores para tomar decisões. 

A marca lançou uma loja virtual, que no início atendia apenas clientes da capital paulista. Atualmente, a loja entrega em todo o país. Nela, o público compra produtos exclusivos e personalizados, inclusive aqueles encontrados em prateleiras de mercados, como as bebidas. O objetivo também é utilizar os dados coletados para retirar insights sobre os novos comportamentos dos consumidores. 

10º – Seguro

Os consumidores do setor de seguros já não são mais os mesmos atualmente: estão mais engajados, mais conectados e bem informados. Por isso, as seguradoras também precisaram se modernizar. Para se manterem atualizadas em um mercado competitivo, são feitos investimentos em tecnologias como dispositivos mobile, Internet das Coisas, Telemetria, e muito mais. 

A seguradora combina os canais online com um atendimento pessoal para aumentar o número de clientes. Mas, a empresa percebeu que ao focar apenas no on-line, os possíveis clientes acabavam desistindo do produto em alguns momentos do processo, pois ainda ficavam com dúvidas.

A conclusão foi de que era necessário o contato pessoal do cliente com o corretor para que esclarecesse todos os pontos. A Porto Seguro então investiu em uma plataforma de marketplace onde mais de 6 mil corretores colaboradores podem ter sua loja virtual, com produtos e serviços integrados. 

Além de tudo isso, a seguradora fechou uma parceria com uma empresa de tecnologia de contact center, para transformar a experiência dos clientes em uma estrutura multicanal, oferecendo suporte e estreitando o relacionamento. Entre as estratégias que serão implementadas estão a inteligência artificial e chatbot.

11º – Manufatura e Indústria

O setor industrial pode se beneficiar de diversas maneiras, mas ainda está engatinhando por esse caminho. Não podemos deixar de citar a Indústria 4.0, que consiste em conectar a tecnologia de produção de sistemas embarcados com processos inteligentes de manufaturas. A partir dela é possível entender melhor o processo dentro da fábrica, os produtos que resultam desses processos e como os clientes os utilizam. 

A Indústria 4.0 permite, por exemplo, que você colete informações em tempo real de toda a cadeia de suprimentos, desde fornecedores até usuários, utilizando esses dados para melhorar e aumentar a sua operação. E nem sempre as estratégias ficam apenas dentro da empresa e da fábrica.

Vamos conhecer como algumas empresas do setor estão incorporando o digital em seus processos: 

A empresa precisava resolver o problema de comunicação interna, pois as equipes de produção nem sempre liam os comunicados de e-mails a tempo. Em primeiro lugar, foi feito um trabalho de diminuição dos níveis hierárquicos, ganhando agilidade na transmissão das mensagens.

Depois, o alcance foi aumentado com a decisão de abolir os e-mails e criar uma rede social para os funcionários. Um aplicativo leve, que pudesse ser baixado em qualquer smartphone, sem grupos, para facilitar a integração de todos. A rede passou a ser a fonte de comunicação da empresa, começando ao informar a mudança de sede. Após um ano de existência, a rede já é usada por cerca de 13 mil funcionários. 

A gigante de sementes resolveu tentar ajudar com as principais dúvidas dos agricultores, os seus clientes: quais sementes plantar, quanto, onde e quando. Com a ajuda do machine learning, a empresa está usando Data Science para fazer recomendações preditivas em relação ao plantio. 

O objetivo é maximizar o rendimento e reduzir a utilização da terra de plantio. Por conta disso, em 2016, a Monsanto economizou US$ 6 milhões e reduziu o esforço na cadeia de suprimentos em 4%.  O segredo para a estratégia digital dar certo foi apoiar uma colaboração desde o início do projeto entre a área de TI e os responsáveis pela cadeia de suprimentos.

12º – Saúde Pública

Muitas soluções que citamos na seção da saúde privada, podem ser aplicadas também no ramo da saúde pública. Confira alguns cases AQUI. 

Mas existem outros impactos que respingam mais no âmbito público. Um exemplo é a definição de políticas públicas. Os dados recolhidos pelos sistemas de saúde informatizados podem ser utilizados para elaborar planejamentos estratégicos que permitem identificar alta na demanda por consultas de uma especialidade entre as várias unidade de saúde, por exemplo. 

Outra área que pode obter benefícios importantes do digital é a prevenção. Principalmente, na forma como se lida com surtos e epidemias de doenças como dengue e febre amarela. 

Esses avisos imediatos sobre situações que saem do comum podem reduzir a incidência de contaminações, pois é possível tomar medidas de contenção e de prevenção com mais agilidade.

As informações cruzadas também possibilitam que se identifique grupos populacionais com mais chances de desenvolver patologias específicas, possibilitando a criação de programas para evitá-las. Se o cidadão já sofre de uma doença crônica, como diabetes, é possível monitorá-lo para evitar complicações que exijam internações ou cirurgias. 

E aí, está inspirado para iniciar a transformação digital na sua empresa?

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